estórias com poucas palavras 

ESTÓRIAS COM POUCAS PALAVRAS

Marília Diaz

Julho/2015

“Com todos os seus olhos a criatura vê o aberto.“ Rainer M. Rilke

Nos anos de 1600 o homem enfrenta o fenômeno da distância.  Os deslocamentos vividos pelo navegador e a observação transformam-no em colecionador daquilo que o impressiona e difere do que conhece. Nascem os Gabinetes de Curiosidades, também chamados de Gabinetes de Arte ou de Maravilhas. Exemplos da fauna e flora e objetos, hoje caracterizados como etnográficos, constituíam a Naturalia, artefatos, a Artificialia e os testemunhos do passado as Antiquitas – todas, formas expositivas e de organização dos acervos, mais tarde transformados em Museus de História Natural. Formas de dimensionar e conquistar o mundo e a si mesmo.

Na Era Vitoriana, arranjos visuais com resíduos de experiências, desejos, memórias afetivas são encerrados em caixas, contentores de tempo. Objetos encapsulados, imóveis, colhidos dos acontecimentos. Espaço que permitia a exploração pelo olho que navegava.

Depois, Anselm Kiefer, Cornell, Duchamp, Schwitters, Man Ray, Picabia, John Cage, Joseph Beuys, Les Bicknell, Ian Tyson, Paul Johson, Magritte, Farnese, Jeanete Mussati e outros artistas reconhecidos retomam as aglomerações e justaposições em caixas, transformando o mundo das aparências.

Parafraseando Mário Vargas Llosa, iniciei esta exposição em uma pilhagem sistemática de tudo que esteve ao alcance de minha sensibilidade, interesse e cognição desde a infância, quando comecei a examinar a fundo coisas insignificantes para os adultos. A seguir, guardei para poder ver de novo e de novo, continuamente. Ao lidar com os guardados construo novos sentidos.

Outra grande referência para esta exposição foi a visita ao Museu da Inocência em Istambul, considerado o melhor Museu da Europa em curadoria e colecionismo. Orham Pamuk, construtor de mundos, me incitou à lide com os guardados e a “collage”, raiz da assemblage...

Em corolário, na constelação de objetos ordinários repetidos, aglutinados estão as caixas, gavetas, garrafas, os barcos e também os mapas e os livros que se transformam em aves e contam sobre a magia que habita as coisas e o que de tudo isso habita em mim.

Al. Pres. Taunay, 314

Batel - Curitiba/PR

CEP 80420-180

Tel: 41 3040 8016

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