forcei os olhos para ver 

FORCEI OS OLHOS PARA VER

Thalita Hamaoui

09/ Dez '17 a 10/03 '18

“(...) imaginava o que ouvia segundo seu próprio tremendismo, por isso julgava que o lugar mais alto das montanhas era uma extremidade de pedra que se alcandorava, coisa de conflituar com as nuvens e os pássaros maiores. Diferente de serem os homens voadores, ela inventava que seriam as montanhas terras capazes de pairar.”

Homens Imprudentemente Poéticos, Valter Hugo Mãe. 

Penso que toda paisagem é um pouco póstuma. A insatisfação com a paisagem dada que desencadeia a vontade de criar lugares outros, que se conformam em liberdade de serem voláteis, complexos, sensíveis. A força não aparece como uma metáfora a algum lugar-paisagem a ser sentido ou visto. Ela é a coisa em si. É a possibilidade de criar novos universos a partir de uma cartografia pessoal.

 

O título da mostra, Forcei os Olhos para Ver,  relata uma ação que nasce da incompreensão do que se tenta ver e entender. Thalita Hamaoui revela o estado de incerteza diante da paisagem  capaz de se transmutar em tempo para compreender o que se quer ser visto. Depara-se com o difícil para aproximar-se da profundeza da paisagem como dúvida e assim devolve, como movimento cíclico para quem vê seu trabalho, um lugar desconhecido e incerto.

O modo como a pintura é construída sinaliza também o modo como ela deve ser vista. Aceita que a cor é ferramenta para cumprir com seu desejo e constrói camadas latentes e flutuantes sobre a superfície. Em momentos é tinta que escorre lentamente e revela sobre a ordem do tempo uma paisagem como realidade possível a ser inventada. A artista propõe e também relata tempo em seu processo em que a pintura se manifesta como lugar de enfrentamento. 

Parece que se depara com a escuridão e assim redobra seus sentidos bem como, os dois corvos da mitologia nórdica Hugin (pensamento) e Munin (memória), títulos que Thalita dá para duas obras. Segundo a lenda, os pássaros vagavam pelo mundo dia após dia e, ao anoitecer, contavam para o deus Odin tudo o que haviam visto e escutado. Um pouco refém da dimensão e capacidade de mudança do mundo, revela-se também uma intenção de trazer à imagem a angústia de não compreender o espaço inalcançável pelos nossos pés. Talvez sejamos o tamanho dos nossos próprios passos. 

Texto: Maya Weishof

Al. Pres. Taunay, 314

Batel - Curitiba/PR

CEP 80420-180

Tel: 41 3040 8016

  • Black Facebook Icon
  • Black Instagram Icon