origami curvo 

ORIGAMI CURVO


Circuito de Galerias da Bienal
Internacional de Curitiba


Curadoria: Isadora Mattiolli
Artistas:
Cintia Ribas, Erica Storer, Fernanda Puricelli,
Gio Soifer, Isabel Ramil, Janete Anderman,
Livia Fontana, Luana Navarro, Mai Fujimoto,
Marília Diaz, Marina Ramos, Maya Weishof,
Rossana Guimarães e Thalita Sejanes.

Origami curvo é uma curadoria transdisciplinar sob a perspectiva do corpo. O projeto foi um convite da Galeria Boiler para que eu desenvolvesse uma exposição a partir da minha dissertação de mestrado, cuja investigação parte da produção em fotografia e vídeo de artistas mulheres que utilizaram o próprio corpo como foco de suas poéticas nos anos 1970. A ética feminista que guiou minha pesquisa foi fundamental nesta mostra: foram convidadas dezesseis autoras nas áreas das artes visuais, música, performance e sociologia para apresentarem trabalhos visando não apenas uma política de representação, mas também produções artísticas e discursos sobre o corpo a partir do ponto de vista das mulheres. Os rituais de feminilidade, as performances
sociais, os padrões de beleza, a maternidade compulsória e a objetificação da cultura de massa são discursos que afirmam a existência feminina ligada à imanência do corpo. Nesse  sentido, torna-se importante falar acerca e a partir do corpo; afirmar sua materialidade e sua construção discursiva, além de desorganizar os regimes de representação existentes. Essas foram algumas das estratégias utilizadas por artistas nas décadas de 1960 e 1970 quecontinuam sendo revisitadas na
contemporaneidade a partir das problemáticas vigentes.


O título origami curvo tem origem numa entrevista realizada com a artista Iole de Freitas (Belo Horizonte, 1945), que descreve suas esculturas em metal como dobraduras curvas.
Esse conceito ressoou na minha memória desde então por sua condição de anomalia: a arte secular japonesa é intrinsecamente ligada às dobras, pontas e retas. A impossibilidade imaginativa e, por isso, abstrata que advém da junção das palavras origami + curvo foi o ponto
de partida das obras expostas que foram organizadas em três conjuntos temáticos: o corpo material, o corpo cultural e o corpo gendrado. A expografia foi organizada a partir da especificidade de montagem de algumas obras e esses grupos temáticos foram dispostos de forma
orgânica entre o primeiro e o segundo andar da galeria.


O primeiro conjunto informa sobre o corpo em sua condição física, tangível e factual: são obras que atentam para a materialidade concreta, para a comunicação, para as funções vitais, para o estado de resistência e para a alienação do corpo.
O segundo conjunto apresenta o corpo enquanto um invólucro da cultura, em trabalhos que versam sobre o mapeamento de uma ancestralidade, de uma indumentária ficcional, de narrativas populares e do encontro possibilitado pela arte relacional.
O último conjunto contém propostas que evidenciam o corpo em seu aspecto de gênero: o feminicídio, a violência, as performances femininas em uma sociedade patriarcal e a sexualidade são questões reinterpretadas pelas artistas a partir de disfarces, personagens ficcionais e jogos de palavras.
O projeto também manifesta homenagem à Rossana Guimarães, artista e professora da Escola de Música e Belas Artes, que conta com uma trajetória emblemática de atuação no campo artístico com uma vasta produção de desenhos, pinturas, esculturas, performances e instalações. Sua escultura Níkē (do grego ‘nee-kay'), exposta na vitrine, é um diálogo com a figura da Vitória de Samotrácia. O metal retorcido toma forma ora de asa ora de peixe, evidenciando as retas e curvas do corpo ficcional do origami curvo.

Al. Pres. Taunay, 314

Batel - Curitiba/PR

CEP 80420-180

Tel: 41 3040 8016

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